
A vida é como uma enorme praia, com um vasto areal e um infindável oceano. Sonhamos sob o sol radiante, mergulhamos as nossas fantasias e começamos aquilo que pensamos ser a realidade do nosso protótipo, castelos na areia. Ao inicio, o entusiasmo prevalece e tudo parece fácil. Construímos o nosso castelo, dedicamos-lhe corpo e alma, e sem pensar em mais nada, vivemos o sonho que tornámos realidade. Mas depois, quando deparados com obstáculos, barreiras que impedem que prossigamos como o planeado, hesitamos. Hesitamos, perdemos todo o entusiasmo e dedicação, toda a coragem e valentia. Cobardes? Talvez. Mas porquê? Tudo bem, a onda veio, e com ela levou a nossa felicidade do momento. Mas é isso mesmo, momentânea, é certo nem tudo dura... Cremos e vivemos sempre cada desilusão como a pior de todas. A verdade é que perdemos muito tempo a pensar nisso, demasiada devoção. Tempo esse que não vamos recuperar nunca. Mas na altura não é isso que importa, se estamos mal, sem intenção, fazemos tudo para ficar ainda pior. Ouvimos músicas tristes que retractem uma crise existencial do género, não ouvimos piadas ou vimos comédias, derramamos rios de lágrimas e por vezes, cometemos verdadeiras loucuras. Certo é, que o sentimento de culpa só vem depois. Contudo, temos de agir! Por vezes é preciso esquecer, mais vale desistir do que insistir. Não se pode construir o mesmo castelo sem a mesma areia. Há que partir para outro, sonhar mais alto. Superar cada decepção com um castelo maior! E acima de tudo, aproveitar a sua construção, porque é aí que somos realmente felizes. A felicidade não está no destino, mas sim no percurso. E nunca esquecer, sou um grãozinho de uma praia maior, tenho de dar tudo o que tenho de melhor.
Beatriz