
Tudo se separa, nem tudo se junta.
São as gotas de água quando o gelo se derrete, são as folhas das árvores quando o vento passa, são os corpos depois do pecado carnal.
Achamos que somos um, deixamos de ser dois, mudamos como metade e perdemos tudo. Perdemos a noção de metade, não sabemos agir como metade, precisamos de voltar a ser um, mas já não dá.
Procuramos outra metade. A história repete-se.
Justificação? Não há “uns” perfeitos mas metades compatíveis.
Mas a verdade é que também existem metades muito pouco compatíveis. São género antíteses, completam-se de uma forma bastante peculiar, nunca deixando de ser aquilo que realmente são, opostos.
No fundo todos queremos ser um todo destes. Uma oposição tão bonita, mas tão difícil de manter. É talvez por ser tão bonita que nos damos a esse esforço.
Este tipo de todo é o mais doloroso de separar. Duas metades tão inteiras, tão intensas, tão ricas.
A outra metade segue, encontra outra metade. São muito compatíveis mas tão banais enquanto todo. Tão iguais a todos os outros, mas tão felizes…
A metade que outrora foi nossa encaixa agora perfeitamente com uma metade pobre.
Se custa? Sem dúvida. Mas eu não queria ser mais pobre por causa disso.
Orgulho? Inegavelmente isso. Certamente outra coisa.
Beatriz