- Vamos à praia?
- Mas tu já viste as horas?
- E depois?
- Oh, mesmo assim, como é que saio de casa?
- Salta pela janela, vá lá.
- Saltar pela janela? Estás doido?
- Não eras capaz?
-Não me tentes!
- (...)
Acabaram-se as conversas sobre a roupa das Barbies, as fraldas dos Nenucos, a cicatriz do Action Man ou a melhor família Playmobil. Agora falamos de música, saídas, álcool, droga, sexo e por aí. Lema: passar o máximo de tempo possível com os amigos e de preferência, fora de casa.
Já não nos contentamos com idas ao salão de jogos até às dez da noite, queremos festivais de uma semana onde a ressaca não tem lugar se não no regresso a casa. Queremos noites e mais noites de dança e ousadia, bebidas e excessos. Queremos liberdade, autonomia, mas temos responsabilidade? Talvez não tanta como devêssemos, mas temos perspicácia.
Nós sim, deveríamos estar no mundo dos negócios com o nosso poder de persuasão, ou na política com tanta lábia e teatro, pensando bem até dávamos bons psicólogos. A verdade é que estamos no pico da vida, no auge!
Tudo bem, temos as nossas típicas desilusões, as nossas crises existenciais, o nosso desespero e sofrimento. Mas tudo isso é extremamente necessário. Como sabe o que é amar aquele que nunca sofreu? Como saber o que é perdoar se nunca se arrependeu? É necessário, faz parte, dá vida e faz crescer.
O resto? O resto são amigos e farra!
A verdade é que temos tão pouco tempo neste que parece ser “o verdadeiro viver”. Ontem falsificávamos o BI para entrar na discoteca, hoje aproveitamos sem esconder a idade, mas está a chegar o tão falado amanhã, o amanhã no qual as responsabilidades acrescem e o – Já posso votar! - não torna mais fácil o – E já podes ser preso... –.
Até lá? Aproveitar! Porque se hoje tiveres dez namorados dizem que não tens sorte no amor, coitadinha ainda é nova, não percebe da vida. Com 30 anos és excluída da sociedade com um currículo vergonhoso e imoral na bagagem. Se hoje gostas de dançar em cima das colunas e te sabes mexer és irreverente, desinibida, social, vivaça. Com 30 anos a fama é outra e do social especulam-se as mais desonestas coisas. Se hoje ficas embriagado todas as sextas-feiras, não ligam, “faz parte, está na idade”. Com 30 anos ninguém te dirige a palavra, és um desenvergonhado que não consegue encarar a vida e então enfrasca-se em álcool.
Bem, aproveitemos agora! Tantos amigos, tantas oportunidades, tão pouco tempo.
Não precisamos de ser uns bêbados, muito menos toxicodependentes. Tudo tem limites, e cada um tem de ter consciência dos seus. Mas impor limites a nós próprios não significa deixar a vida passar. Os limites servem para isso mesmo, para continuarmos na prancha, se quebramos os limites caímos da prancha e deixamos a onda passar. E aqui só há uma onda, uma prancha e uma chance.
Beatriz
quinta-feira, 18 de junho de 2009
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Aparentemente é assim. Vivemos cada dia como se fosse o último... Não queremos saber só queremos viver. Mas cuidado às vezes as conseuquencias são desastrosas. Muita loucura e adrenalina com uma pitada de bom senso, acima de tudo.
ResponderEliminarOra aí está ;)
ResponderEliminaradorei o texto. Retrata tal e qual a vida de todos os jovens!
ResponderEliminarAna Pinto
obrigada :)
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